POR ARIOVALDO RAMOS

Este texto é de autoria do Pr. Ariovaldo Ramos. Vale a pena ler.
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Assentamo-nos, começamos a conversar e, olha o que o José, meu amigo me disse:

“Lembra-se de quando lhe falei que meu pastor estava muito aberto a certos ministérios? Pois a coisa desarranjou de vez! O homem começou a pregar umas mensagens diferentes. Começou a dizer que havia poder nas palavras. No começo, até concordei com algumas coisas – É verdade, muitas vezes usamos mal nossa palavras, lamentando, murmurando, falando palavras torpes. Pensei que estivesse falando da questão psicológica. Verdade! Uma pessoa que vive se lamuriando torna a sua vida e as de todos os que a cercam, um inferno. Entretanto, pouco tempo mais tarde percebi que não era isso. Ele parecia acreditar que aquilo que a gente falava, de fato, acontecia, e começou a ensinar o que chamava de confissão positiva. Ou seja, a gente tinha sempre que afirmar coisas boas. Ele chamava isso de Decreto, e dizia: – Decreto felicidade, paz e prosperidade para sua família. Eu comecei a pensar: Mas, como decretar? Só pode decretar quem tem poder. Decreto é um ato de autoridade. Só quem tem autoridade para tornar realidade suas palavras pode emitir um decreto. Como posso decretar se em mim mesmo não há o poder necessário para torná-las realidade? Só Deus pode decretar.

Daí, ele começou a dizer que se decretássemos em nome de Jesus, Deus garantiria nossas palavras. Eu fiquei pensando: Como posso Ter certeza que Deus vai garantir as minhas palavras, se o apóstolo Tiago disse que há muitas coisas que a gente pede e não recebe porque pede mal? ( Tg 4.3). De onde saiu essa idéia de que qualquer coisa que um cristão diga tem o imediato aval de Deus?

Mas, a coisa não parou aí. Começou-se a dizer que Deus nos dava muitas garantias. Que agora, que éramos salvos, tínhamos a garantia da saúde, nunca, jamais um crente fiel ficaria doente a menos que lhe faltasse fé ou, caísse em pecado. Eu fiquei a perguntar de onde o pastor tirara aquela visão, se o apóstolo Paulo diz que Epafrodito adoeceu quase a ponto de morrer( Fp 2.26,27), se ele manda Timóteo beber vinho com água porque tinha problemas de estômago e freqüentes enfermidades ( 1 Tm 5. 23), se a Bíblia diz que Eliseu morreu de doença! Inclusive o texto diz que Eliseu já estava doente com a enfermidade pela qual haveria de morrer ( 2 Rs 13.14). O que ele quer dizer quando fala em cristãos fiéis que não ficam doentes? O próprio apóstolo Paulo… Os estudiosos sérios da Bíblia dizem que o espinho que ele tinha na carne era uma doença, provavelmente conjuntivite crônica. De onde tirou-se essa idéia de que o simples fato de sermos cristãos fiéis nos torna imunes a doenças? Sei que há doenças que são fruto de pecado. Mas toda doença é fruto de pecado? A doença de Timóteo era? Então porque Paulo não o repreendeu? A doença de Epafrodito e do próprio Paulo eram frutos de pecado? No caso de Paulo era um espinho que o próprio Senhor permitiu para que ele fosse guardado da soberba.

Depois, começou a ser disseminado em todas as reuniões que o cristão tinha direito à prosperidade. Que todos os cristãos, como filhos de Deus, têm direito ao que a vida tiver de melhor. Então, foi um tal de gente começar a comprar carro novo, importado, investir dinheiro aqui neste sistema que, segundo a Bíblia, jaz no maligno ( 1 Jo 5.19). ora, o próprio Senhor Jesus nos ensina a não ajuntar tesouros na terra onde a traça corrói e os ladrões roubam, mas, a ajuntar tesouros no céu( Mt 6.19); Ele também disse ao jovem rico para vender tudo, distribuir ao pobres e seguí-lo ( Mt 19.21). De onde, então, foi tirada essa idéia maluca de que todos nós, cristãos, temos de ser prósperos, ricos, milionários, se a própria Bíblia diz que os maus desejos, a vontade de ter o que agrada aos olhos e o orgulho pelas coisas da vida, vem do mundo, e que se alguém ama o mundo não ama a Deus ( 1 Jo 2.15 BLH)?

Em provérbios está escrito “Eu te peço, ó Deus, que me dês duas coisas antes de eu morrer: não me deixes mentir e não me deixes ficar nem rico, nem pobre. Dá-me somente o alimento que preciso para viver. Porque, se eu tiver mais do que o necessário, poderei dizer que não preciso de ti. E, se eu ficar pobre, poderei roubar e assim envergonharei o teu nome, ó meu Deus”. ( Pv 30.7-9 BLH). Parece que o padrão é esse. Ou seja, isto é prosperidade na Bíblia – o equilíbrio.

Outra coisa, o apóstolo disse: “…aqueles que colheram pouco não tenham falta e aqueles que colheram muito não tenham sobrando…” Os primeiros apóstolos lá em Jerusalém, ensinaram aos irmãos a dividirem tudo e a terem tudo em comum, com um padrão de vida simples ( At 2.44-47) De onde saiu essa idéia de prosperidade? Como é possível um cristão colocar seu coração em prosperidade em meio a uma sociedade enferma, explorada, que produz miseráveis? Essa prosperidade está mesmo é funcionando para os líderes, eles sim estão cada vez mais ricos. Começaram a dizer que Jesus era rico e que usava roupa importada! Mas, não parou nisso, ele começou a dizer ainda mais: que para se ter prosperidade tínhamos que doar, doar e doar…Tudo bem quanto a doar, a Bíblia, no Novo Testamento, deixa bem claro que tudo é de Deus, tudo é para Deus. Mas, o pastor começou a pregar de tal maneira que era como se estivéssemos fazendo uma barganha com Deus. você dá uma oferta alta e Deus lhe dá cem vezes mais…Isso é tentar fazer chantagem com Deus!

Os irmãos começaram a levar ofertas com a certeza de que teriam cem vezes mais, e presenciei que quando as bênçãos não vinham na proporção desejada, murmuravam muito!

Que loucura é essa? E além do mais, se é verdade que todo cristão fiel tem que ser próspero, gozar de estabilidade…o que dizer dos cristãos genuínos, cheios de fé, de dedicação e de consagração que estão em prisões na China, no mundo muçulmano e em tantas outras regiões da face da terra?

Conversei várias vezes com o meu pastor mas, não adiantou nada. Ele não me ouvia, alegava o tempo todo que eu não tinha fé. Comecei, então, a notar mais algumas coisas:
1. Logo depois que começou esse negócio de prosperidade, foi suspenso o sustento dos irmãos que estavam fazendo missão transcultural, mudando, assim, a ênfase da comunidade;
2. De repente, fatos estranhos começaram a acontecer na comunidade, pois, muita gente que estava doente, não admitia mais a doença, outros que haviam perdido o emprego diziam que tinham resolvido dar um tempo para descansar…enfim, nossa comunidade virou uma comunidade de hipócritas.

Acredito que a vitória do cristão não é não sofrer, mas sim, não ser derrotado pelo sofrimento!

Entrei em conflito com o meu pastor, em rota de colisão, pois insistia em dizer que tínhamos que ser prósperos, que tínhamos direito à saúde perfeita, e que qualquer enfermidade era do diabo.

Houve, inclusive, um caso de uma criança com câncer em uma das famílias da comunidade. Nossos líderes foram lá repreenderam, decretaram, disseram que a criança estava curada e mandaram suspender o tratamento. O que aconteceu? A criança morreu. Eles disseram, então, que os pais não tiveram fé suficiente para liberar a cura. Acabaram com a família. Que pais agüentam conviver com a culpa pela morte de um filho?

Por isso fui ficando cada dia mais transtornado, cada dia mais revoltado, vendo que meu pastor estava se afastando da Bíblia e nos levando com ele. Hoje, temos uma igreja de gente que quer ser milionária, tendo os melhores carros importados, as melhores casas com piscina e tudo o que há de mordomias. Pessoas que se esqueceram que este mundo vai passar; esqueceram-se de que este não é o nosso lugar; esqueceram-se de que o Reino de Deus não é deste mundo; esqueceram-se que estamos aqui para que a vontade de Deus seja feita; que somos uma comunidade peregrina com uma missão; que estamos aqui para nos importar com os pobres, aleijados, despossuídos, abandonados; que temos de correr atrás dos que estão perdidos e ajudá-los; esqueceram-se de que somos uma comunidade que se ajuda mutuamente, enfim, eu não sei o que deu na liderança.”

Ao ouvir tudo isso, perguntei:
- E agora José…o que você pretende fazer? Ele respondeu:
- Percebi que a minha igreja saiu do centro da vontade de Deus. Eu tentei, fiz o máximo, aquentei o quanto pude. Mas, o que se está edificando lá é uma Babilônia, e eu resolvi seguir o conselho das Escrituras em relação a Babilônia: “sai dela povo meu”( Ap 18. 4).

E este foi o testemunho apaixonado de meu amigo José. Talvez, você não concorde com ele. Mas, antes de criticá-lo, pondere sobre os argumentos por ele apresentados. Lembre-se: “Teologia é como comida, se boa alimenta, se estragada pode matar. Não exponha sua família á morte.

 

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2 Respostas

  1. Só passei para lhe desejar um Natal e um Ano Novo cheio de esperaça, Paz e muito Amor pra ti e toda sua Família. Que Deus esteja sempre presente iluminando sempre seu lar…
    Que toda Magia do Natal esteja presente todos os dias de sua vida não apenas nos festejos natalinos…
    Um grande Beijo…
    Saúde, Paz, Prosperidade…

  2. Meu amor, antes de mais nada, quero dizer que fiquei muito feliz com a foto que escolheu para o blog. Quanto ao texto do Pr Ariovaldo Ramos, é impressionante a real necessidade de voltarmos para Deus CONSTANTEMENTE. Vigilantes com aquilo que está sendo ensinado nos púlpitos das nossas igrejas, diria até que, assim como José, deveríamos fugir da “presença” da TV e rádio quando a pregaçao estiver centrada no ganho, lucro e prosperidade material, pois “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). Te amo.

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